por Larissa Lauffer
Um terapeuta descobre que está a um ano de morrer. Revê seu passado, suas frustrações e vitórias. Na trajetória das páginas, Julius retoma um trabalho mau-sucedido e descobre valores que 50 anos de psiquiatria não conseguiram lhe despertar. Ele conduz um grupo de terapia abalado pelo pessimismo convicto de um novo membro. Philip, – seu maior fracasso profissional – um homem frustrado que ao reingressar na análise nasce gradualmente enquanto criatura sensível.

A cura de Shopenhauer é um romance instigante e envolvente, onde o psiquiatra Irvin D. Yarlom traz uma visão de dramas humanos mais legítimos do que a verdade; conduz ao mundo psicanalítico ficcionando realidades transmitidas de modo profundo e singular. O escritor parece penetrar a mente do leitor e prever o que lhe perturba e inebria.
Voraz, a obra retrata situações prosaicas de tamanha complexidade que impede o julgamento “gratuito” das personagens. Desperta sentimentos de difícil descrição; pois, emociona, choca e surpreende. São quase 400 páginas de um romance psicológico sobre história e anseio, desejo e cobiça.
É capaz de transformar a palavra escrita em pensamento vivo e inquietude transformadora; um instrumento de auto-conhecimento que através do gênero literário transborda a intenção de fazer barulho para modificar convicções conservadoras – muitas vezes fortemente arraigadas – despertando a projeção do “eu” no outro. E, dessa forma, o “eu” autêntico.
Saiba mais sobre Irvin D. Yarlom e suas obras literárias
Nenhum comentário:
Postar um comentário